terça-feira, 11 de setembro de 2007

Eros e Thanatos


Eu vou falar de amor.
No início achei que ia ser meio piegas, mas logo mudei de idéia.
Eu escrevi isso há um tempinho... e não que eu concorde com tudo (e isso nem importa), mas achei interessante eu ter pensado nisso um dia.
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"Eu não estou com ninguém no momento, eu estou sozinho mesmo. Na verdade eu sou sozinho e não por escolha, mas porque eu acho que todo ser humano está destinado a ser solitário. Nós apenas nos enganamos ao estar com uma pessoa e acreditar naquilo, quando na verdade essa mentira só nos leva a um fim mais trágico.
O que mais tem me irritado é que ultimamente eu tenho ouvido muito as pessoas falarem a frase: "EU TE AMO", que pra mim é a maior das merdas e a maior das mentiras. O amor não existe mais. Vomitam essa palavra pra dizer qualquer outra coisa, mas não a utilizam no seu sentido genuíno. Amor de verdade é quando você perde completamente o controle de si e se doa inteiramente para o outro por mais fatal que isso possa ser. Você é o outro e não existe distância. Ou você tem o outro ou é insuportável de respirar. Ou você tem o outro ou você morre. Amor é sobrevivência. Ele te transporta para um estado de urgência onde não existe mais medo. Você é capaz de pular de um precipício. Amor é suicídio.
Mas ninguém mais sente isso. Eu não sinto. Eu apenas desejo sentir isso, porque eu não tenho coragem de pular de um precipício. Eu não tenho coragem pra nada. Eu não amo nada. Eu não amo ninguém. Não amo nem a mim mesmo porque eu não me mataria por me amar. E eu não mereceria uma morte tão feliz, afinal eu sou apenas mais um desses adolescentes iludidos de hoje que não sabe amar. Que conhece qualquer um na balada e já diz que ama. Conhece há algum tempinho e já casa, já decide morar junto e aceita isso como amor. Acredita nesse conto de fadas, mas que na verdade não passa de uma simples comodidade. Isso não é amor, isso é fácil. Tão fácil e tão comum. Tão comum que as pessoas já se acostumaram a viver nessa dormência amorosa por continuarem com a crença nessa fantasia barata e nisso que consideram ser o mundo perfeito. Perfeição não existe. Ou melhor, existe sim: para aqueles que são livres! Livres para amar, livres para morrer de amor. Libertos do tempo, libertos do destino, libertos de qualquer condição do ser humano.
Mas o que adianta eu escrever tudo isso? Ninguém mais entende. Nada mais faz sentido. Todos acham radical porque ninguém enxerga que todos nós somos vítimas dessa banalização toda. Carregamos esse fardo e o passamos para as próximas gerações que já nascem assim, vazias. Todos viraram bichos. Mas chegamos a um ponto em que não há mais volta. O amor se extinguiu. Estamos condenados. Então aprendamos a viver e a morrer sozinhos."


9 comentários:

Renato disse...

posso concordar em partes?
rsrsrsrs

acho que no final das contas é tudo isso aí e mais um pouco, e mais abstrato, e mais profundo.
E na realidade tudo tb se resume ao ser "livre" e estar "disponivel".
Sei lá... amor é piegas. E é muito confundido com paixao, com obsessão, com varias coisas.... acho que na verdade o amor eh mais sem graça. kkkkkkkkk É aquela coisa que vc sente por mãe... nao é morno... mas eh calmo.
Por isso que eu prefiro a paixão, ela sim te arrebata te enlouquece te dá vida e intensidade.
Ain... isso é tema pra se discutir no bar.... topa? heheheh

enfim, concordo, discordo, e adorei o texto que vc escreveu.

André Sobreiro disse...

concordo com uma parte de suas idéias Mau! mas.. no geral, tenho uma visão um tantinho mais otimista de amor!

Mas isso não vai entrar num comment dum blog... falo com vc apenas

Bjos

Marcelo disse...

Vi o link do seu blog pelos updates do orkut há um tempinho.

O mais interessante é que há uns anos já pensei assim. Hoje, não penso mais. Hoje, apenas sinto.

Paixão, amor, consideração... tudo junto fica tão bom.

Fica com Deus, talentooo! Gde bjo!!!

Renato Mahalo disse...

aeee ben vindo ao mundo dos blogs!! hahah abraço, sumidão!

Valdson Bernardes disse...

Então... concordo com algumas coisas e discordo de outras...

Paixão é como acender um fósforo: primeiro aquele clarão e aquele escândalo todo, depois o fogo diminui, diminui... e acaba numa madeirinha preta e retorcida.

Amor é diferente: é a paixão transformada e aprimorada pelo dia-a-dia. É cumplicidade; é olhar e saber o que o outro está pensando, sem precisar abrir a boca; é chegar em casa depois de um dia horrível no trabalho e receber "aquele sorriso"...

Enfim, amor existe sim, mas é calmo, sereno e faz muito bem... e é eterno enquanto durar! :^)

Se isso serve de consolo, há alguns anos eu pensava igualzinho a você! Hehehehe... Argh! me senti o puro tiozinho agora...

Beijão!

rodaGigante disse...

eu acredito no amor.
amor nao é suicidio nao.
amor nao é meio de morte.
amor é meio de vida.
.
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olha...vc tb escreve bem...vamos fazer um campeonato?
=)

leonardomatheusp disse...

Mauro, não imaginava que escrevesse tão bem. Quando, há muito tempo, comentei com você que gostava de escrever e que mantinha um blog você disse que gostava também de escrever, mas eu não podia imaginar que o gosto era combinado com talento. Não somos amigos, mas gosto de você como se fôssemos. Legal você, que teve a coragem e a oportunidade de se dedicar a arte, publicar essas coisas aqui, atestando seu tino para as coisas que só são sentidas, vividas e pensadas por aqueles que têm sensibilidade. Se já o admirava, admiro-o ainda mais depois de ler essas publicações.

dfn88 disse...

Ai Mauro amor é simples amar. concordo esta dificil de encontra-lo em nos mesmos, mas nao desacredite nele porque ele existe, existe pelo simples fato de você existir, pelas delicias de prazeres momentaneos que seja, ele existe de formas diferentes em cada um de nós e é mto dificil de aceita-lo, as vezes de em embarcar pra navegar sem medo de tempestades ou furcões, é necessario sim muita coragem para amar, mais que isso é necessario vontade de amar e se entregar. Porque depois disso meu amor é só diversão ...
Muitas coisas e ..... este é um tema para noites em NY !!!

Uva Thompson disse...

Tem uma música no meu disco que fala assim:

"Já faz tempo o amor me prendeu a você
E, nesse caso, liberdade é suicídio."

O contrário da sua idéia, né? O amor, pra mim, é um sentimento enorme. E SEMPRE BOM. Quando te faz mal, não é amor. Ou não é só amor. Amar é alucinógeno. E eterno...

Discussão pra horas, páginas e várias récitas... e ninguém vai concordar com nada no final das contas, né? hehehehehe
Bjs!
Adorei seu blog!